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domingo, 25 de outubro de 2015

Mestre Sala


O Mestre Sala dos Mares












[PortuguêsJoão Bosco e Aldir Blanc representam uma das parcerias mais férteis da música popular brasileira, entre as diversas composições, o samba O Mestre Sala dos Mares tem um lugar especial no imaginário popular, além da simplicidade e da beleza melódica calcada em uma rica poesia, personagens e histórias se misturam. Montado pelo blog, é apresentada na forma de disco uma coletânea de uma música só, uma proposta pouco comum mas que produz um efeito interessante ao ouvir diversas e diferentes interpretações sobre um mesmo tema. Aos que se interessarem, possivelmente a comparação e a eleição da(s) melhor(es) seja inevitável, mais que eleger a mais bela a proposta permite observar a diversidade e como uma música pode ser sentida e interpretada por diferentes artistas.

Assim como o personagem, o samba O Mestre Sala dos Mares, é um símbolo na música brasileira pelas lutas, resistências e liberdade, foi uma justa homenagem a figura heroica de João Cândido composta entre 1973-74, durante a ditadura militar brasileira (1964–1985), e gravado por Elis Regina no LP Elis de 1974 e posteriormente no disco Caça a Raposa do próprio João Bosco em 1975. Período de grandes restrições de expressão, esta música até ser gravada nas vozes de Elis Regina e João Bosco sofreu diversos cortes e reajustes na poesia pela Divisão de Censura. Aldir Blanc teve que ir sistematicamente ao departamento e negociar os trechos do poesia onde haviam problemas de palavras inapropriadas e fazer as devidas alterações, como mostrado abaixo. Neste período, a versão original era cantada apenas em turnês internacionais, como a celebre apresentação de Elis Regina no México em 1981 que apresentou a versão inédita e livre (Link do show) onde "almirante negro" é cantado ao invés de "navegante negro" e assim por diante

Para o interessado em aprofundar um pouco sobre o contexto histórico contado na música, veja a redação ao final.



[English] João Bosco and Aldir Blanc represent one of the most fertile partnership of Brazilian popular music, among the diversas compositions the samba O Mestre Sala dos Mares has a special place in the popular storied, beyond the simplicity and melodic sidewalk beauty in a rich poetry, characters and stories are mixed. Assembled by the blog, it's presented as an album collection of one song only, an unusual proposal but which produces an interesting effect to hear different interpretations of the same theme. Those who are interested, possibly the comparation and election of the best is inevitable, but more that elects the most beautiful the proposal is allows observing the diversity and as a song can be felt and interpreted by different musicians.

Just as the character, the samba O Mestre Sala dos Mares, is a symbol of Brazilian music by the struggles, resistances and freedom, it was a fitting tribute to the heroic figure of João Cândido composed between 1973-74, during the Brazilian military dictatorship (1964-1985) and recorded by Elis Regina in 1974 and later on the album Caça a Rapousa by João Bosco in 1975. Period of major restrictions of expression, this song until be performed by Elis Regina and João Bosco suffered several cuts and adjustments in poetry by the Censorship Division. Aldir Blanc had to systematically go to the department and negotiate poetry and has problems with inappropriate words and make the appropriate changes, as shown below. During this militar period, the original version was sung only in international tours, such as the celebrated presentation of Elis Regina in Mexico in 1981 presented the unpublished and free version (Link of the show) where "black Admiral" is sung instead of "black navigator" and others changes.

In order to inprove about the historical context that tells the music, take a look at the text below until the end.


Tracks:

01. O Mestre Sala dos Mares - Elis Regina [LP Elis, 1974]
02. O Mestre Sala dos Mares - João Bosco [LP Caça a Raposa, 1975]
03. O Mestre Sala dos Mares - Juarez Araújo [LP Sax Maravilha Sambas, 1976]
04. O Mestre Sala dos Mares - Elis Regina [LP Luz das Estrelas, 1984]
05. O Mestre Sala dos Mares - Emílio Santiago [LP Brasileiríssimas, 1988]
06. O Mestre Sala dos Mares - SamBrasil [CD Globo Collection MPB, 1996]
07. O Mestre Sala dos Mares - Martinho da Vila & João Bosco [CD Joao Bosco Songbook, Vol. 3, 2003]
08. O Mestre Sala dos Mares - Pedro Morais [CD Pedro Morais, 2006]
09. O Mestre Sala dos Mares - Renato Vargas [CD O Som do Barzinho 4, 2006]
10. O Mestre Sala dos Mares - Leandro Sapucahy [Vídeo TV Globo, Som Brasil, 2009]
11. O Mestre Sala dos Mares - Misha Ognianer & Enrique Rebouças [CD Pensamentos Brasileiros, Sem Palavras, 2009]
12. O Mestre Sala dos Mares - Jorge Vercillo [CD Elis por Eles, 2012]
13. O Mestre Sala dos Mares - João Bosco, Alcione & Banda Mantiqueira [CD 23° Prêmio da Música Brasileira, 2012]
14. O Mestre Sala dos Mares - Chico Buarque & João Bosco [DVD 40 anos depois, 2012]
15. O Mestre Sala dos Mares - Aldir Blanc, Martinho da Vila, Monarco, Tia Surica & Moacyr Luz [CD Pirajá, 2013]
16. O Mestre Sala dos Mares - 3 Na Bossa [CD Abre Alas Pra Minha Folia, 2014]
17. O Mestre Sala dos Mares - Marcelo Godoy & Mark de Jong [Vídeo-Mp3, 2015]















A história por trás do samba / The story behind the samba


João Cândido
[PortuguêsO personagem inspirador:

João Cândido Felisberto nasceu em 24 de Junho de 1880, na então Província (hoje Estado) do Rio Grande do Sul, na fazenda Coxilha Bonita que ficava no vilarejo de Dom Feliciano no município de Encruzilhada do Sul. Ainda cedo, aos 11 anos João Cândido foi soldado do General Pinheiro Machado, na Revolução Federalista, em 1893 (segundo depoimento do próprio João Cândido a Gazeta de Notícias em 1912). Em 1895, aos 13 anos, foi aceito na companhia militar de Porto Alegre, mas logo, em dezembro do ano seguiu para a Marinha do Brasil, na então capital, a cidade do Rio de Janeiro.

A história:

Surgida com a independência do Brasil e sediada no Rio de Janeiro, a Marinha do Brasil, ou Armada Nacional como foi chamada durante o regime monárquico, teve seu surgimento e longo período de sua história ligado as organizações e doutrinas portuguesas. Mesmo com mudanças importantes no cenário do Brasil como a Abolição da Escravatura em 1888 e a Proclamação da República em 1889 a Marinha do Brasil por longo período em sua história conservou princípios e manteve práticas extremamente arcaicas de ordem e disciplina dentro da instituição. Um sério problema que a Marinha enfrentou no Brasil foi com o recrutamento que era dificílimo em função da baixíssimo grau de instrução do pessoal para os postos tanto de oficiais quanto de marinheiros. A Marinha para recrutar técnicos criou escolas profissionais que, no entanto, formava um número insuficiente desses técnicos devido principalmente ao alto grau de exigências em relação ao preparo do aluno brasileiro. Com isso, a Marinha tinha uma falta enorme de técnicos e quem dirá de marujos minimamente preparados. Como sempre foi, ao longo de sua história o Brasil possuía uma faixa imensa populacional economicamente desfavorecida e problemas com falta de emprego. O alistamento na Marinha do Brasil e nas forças armadas de uma forma geral era considerada de fato uma forma segura de renda para uma uma faixa expressiva da população que almejam os cargos. Como a população brasileira em suas faixas sociais mais desprovidas tinha um enorme contingente de miscigenados, negros, índios, e uma quantidade pouco expressiva de brancos, em resumo essa era a composição do brasileiro que ingressava na Marinha. 

Certos costumes e práticas de manutenção da ordem e disciplina se mantiveram os mesmos por muitos anos, existiam diversas formas de castigos na Marinha, desde as torturas das mais variadas, a chibata e até o enforcamentos. Um dia após a proclamação da República em 16 de novembro de 1889, o ministro da Marinha almirante Eduardo Wandenkolk decidiu extinguir os castigos corporais, no entanto, seis meses depois oficiais cobraram novas leis de disciplina a bordo e o ministro decidiu retomar o castigo físico. O marinheiro indisciplinado, além de chibatadas, poderia ter o salário reduzido, ser rebaixado de posto, preso e ser humilhado conforme o decreto que criou a Companhia Correcional, responsável pela determinação da natureza dos castigos. 

Um fato registrado foi o caso ocorrido em 1893, quando um contingente de marinheiros havia se revoltado na canhoneira Marajó contra o excesso de castigos físicos, exigindo a troca do comandante que abusava da chibata e outros suplícios. Na época, ainda não queriam o fim da chibata, mas a troca do comandante do navio, para evitar abusos. Definitivamente, não era normal receber chibatadas. E, para piorar, os oficiais extrapolavam o limite de próprio regimento da Marinha, baseado num decreto que nunca foi publicado no Diário Oficial, que estabelecia a criação de Companhias Correcionais que poderiam indicar a punição de até 25 chibatadas, mesmo após a Abolição da Escravatura.

Com a virada do século e as mudanças tecnológicas, as embarcações também receberam importantes inovações, e uma fundamental foi surgimento dos modernos navios a vapor. Na primeira década do Século XX o Rio de Janeiro se modernizava rapidamente, o prefeito Pereira Passos mudará o aspecto físico da cidade que ingressara na Belle Époque, a moda francesa. Acompanhando as modernizações, a Marinha do Brasil adquiriu quatorze navios entre os mais modernos na época, encomendando encouraçados e torpedeiros de última geração, navios de turbina e cruzadores. Segundo a Marinha, o nível técnico dos marujos brasileiros acostumados com navios a vela não acompanhou a modernização, no entanto, relatos citam os marinheiros de 1910 como profissionais treinados, competentes, homens que participaram da construção dos navios, que os manobravam com extrema eficiência, homens modernos vivendo sob num regime arcaico. 

A partir de 1908, para acompanhar o final da construção de navios de guerra encomendados pelo governo brasileiro, centenas de marinheiros foram enviados à Grã-Bretanha. Em 1909 João Cândido também foi enviado para lá. Nesta estadia na Inglaterra que tomou conhecimento do movimento realizado pelos marinheiros russos em 1905, reivindicando melhores condições de trabalho e alimentação, a revolta do Encouraçado Potemkin. Ainda na Grã-Bretanha, e depois, ao retornarem ao Brasil, os marinheiros que lá estiveram para acompanhar a construção dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo, e do cruzador Bahia, iniciaram um movimento conspiratório com vistas a tomar uma atitude mais efetiva no sentido de acabar com a chibata na Marinha de Guerra do Brasil.

Em 22 de novembro de 1910 uma semana após a posse do presidente Hermes da Fonseca, cerca de dois mil marinheiros se rebelaram e tomaram quatro navios de guerra na baia de Guanabara. Durante seis dias apontaram oitenta canhões e ameaçaram bombardear a cidade que na época contava com 870 mil habitantes. O motim tinha como um dos comandantes e principal porta voz o marinheiro João Cândido Felisberto de 30 anos. Estava deflagrada a Revolta da Chibata, e o principal motivo desta revolta, os castigos físicos na marinha. 

O estopim foi o flagelo sofrido pelo marujo Marcelino Menezes no encouraçado Minas Gerais, um dos mais modernos navios do mundo na época. Após um grave ato de indisciplina, dizem ter sido punido com 250 chibatadas. Sobre este número de chibatadas difundido residem dúvidas, principalmente ao conceber se alguém suportaria a esse número de castigos, e é descrito que o Marcelino havia sofreu calado. De qualquer forma, houve um caso de indisciplina e o oficial que era encarregado da questão disciplinar no navio estabeleceu uma quantidade absurda de chibatadas. O motivo que levou Marcelino ao castigo foi que quando entrou no navio com duas garrafas de cachaça, o Cabo em serviço deu parte marinheiro. Marcelino como desforra havia navalhou o corpo todo do Cabo, segundo relatos. Nessa época, o código penal não funcionava, pelo menos nas forças armadas, haviam atrasos e abusos no sistema da Marinha de punição. Tiros de ameaça chegaram a ser disparados e mataram duas crianças. Na realidade acredita-se que eles jamais teriam coragem de bombardear o Rio de fato, mas o governo não quis colocar a prova. Depois de seis dias de muita tenção na cidade e os moradores com medo de serem bombardeados pelos revoltosos, o governo Hermes da Fonseca e o Congresso cederam, João Cândido e os outros marinheiros foram anistiados. A vitória do movimento não pode ser comemorada, depois da revolta o governo criou um clima de revanche, e na prática revogou a anistia. Mesmo antes de qualquer medida de revogação legal, os marinheiros foram demitidos em massa, produzindo uma grande quantidade de desempregados e ainda quando os marinheiros estavam desembarcando em terra, grande parte deles foram capturados e presos, levados para o presídio do batalhão naval na Ilha das Cobras.

Nesta prisão só João Cândido e outro marinheiro sobreviveram, os carcereiros eram suboficiais do batalhão naval, e um único relato registrado de um deles conta sobre o "assassinatos" dos marinheiros e soldados do batalhão naval que estavam no presídio. Era uma edificação incrustada no rochedo em uma das encosta de morro, local sem ventilação, diversos vieram a falecer envenenados ou asfixiados e não se sabe com certeza pelo que ou por quem.

A Revolta da Chibata foi uma revolta legítima contra uma prática absurda e desumana de castigo corporal, um paradoxo ao próprio regime constitucional então vigente. Era uma ilegalidade e foi uma manifestação do cidadão contra esta ilegalidade, a Revolta da Chibata exigia frontalmente a revogação do decreto e o fim dos castigos corporais na Marinha, esta foi uma vitória definitiva sobre a injustiça.

O herói, o mito:

A Revolta da Chibata não é vista de forma unanime por segmentos da sociedade, há por exemplo uma corrente da marinha que tenta desqualificar João Cândido, mas sem sucesso. Após os incidentes João Cândido nunca mais deixou o Rio de Janeiro, onde viveu as glórias de um "almirante", a humilhação de um marginal e até sua morte em 1969 como vendedor de peixes no cais do porto. Hoje existem inúmeras homenagens a João Cândido, assim como os compositores dessa belíssima música O Mestre Sala dos Mares. O tempo a sociedade civil de uma forma geral vem mostrando como o Almirante Negro é considerado um herói nacional e caminha a ser um grande mito.


[EnglishThe inspirational character:

João Cândido Felisberto was born on June 24, 1880, in the Province (now State) of Rio Grande do Sul, in Coxilha Bonita farm that was in the Dom Feliciano village in the municipality of Encruzilhada do Sul. Early yet, to 11 years João Cândido He was a soldier of General Pinheiro Machado, the Federalist Revolution in 1893 (according to the testimony of John himself Cândido the News Gazette in 1912). In 1895, at age 13, she was accepted into the military company of Porto Alegre, but soon, in December of that year went to the Navy of Brazil, in the then capital city of Rio de Janeiro.
João Cândido in his later years

The story:

Emerged with the independence of Brazil and located in Rio de Janeiro, the Navy of Brazil, or the National Navy as it was called during the monarchy, had its birth and long period of its history linked to Portuguese organizations and doctrines. Even with major changes in Brazil's scenario as the abolition of slavery in 1888 and the Republic Proclamation in 1889 the Navy of Brazil for long periods in its history preserved kept principles and practices extremely archaic of order and discipline within the institution. A serious problem that the Navy faced in Brazil was with the recruitment was very difficult due to the very low degree of personal instruction for the posts of both officers and sailors. The Navy to recruit technical created vocational schools, however, it formed an insufficient number of these technicians mainly due to the high level of requirements regarding the preparation of the Brazilian student in this time. As a result, the Navy had a huge lack of technical and let alone minimally prepared sailors. As has always been, throughout its history, Brazil hadEmerged with the independence of Brazil and headquartered in Rio de Janeiro, the Navy of Brazil, or the National Navy as it was called during the monarchy, had its birth and long period of its history linked organizations and Portuguese doctrines. Even with major changes in Brazil's scenario as the abolition of slavery in 1888 and the Republic Proclamation in 1889 the Navy of Brazil for long periods in its history preserved principles and kept extremely archaic practices of order and discipline within the institution. A serious problem that the Navy faced in Brazil was with the recruitment was very difficult due to the very low degree of personal instruction for the posts of both officers and sailors. The Navy created to recruit technical vocational schools, however, it formed an insufficient number of these technicians mainly due to the high level of requirements regarding the preparation of the Brazilian student. As a result, the Navy had a huge lack of technical and let alone minimally prepared sailors. As has always been, throughout its history, Brazil had an immense range of population economically disadvantaged and problems with absence of employment. The enlistment in the Navy of Brazil and the military in general was indeed considered a secure form of money for a significant population group that be aims better positions. As the Brazilian population in the most deprived social groups had a huge contingent of mixed colors, blacks, natives, and a relatively insignificant amount of whites, this was the Brazilian's composition was entering the Navy.

Certain customs and practices of maintaining order and discipline remained the same for many years, there were various forms of punishment in the Navy, from the tortures of the most varied, and whip until the hangings. One day after the proclamation of the Republic on November 16, 1889, the Minister of Navy Admiral Edward Wandenkolk decided to terminate corporal punishment, however, six months after official charged new discipline laws on board and the minister decided to getting back physical punishment. The undisciplined sailor could have lashes, reduced salary, be demoted, be arrested and humiliated as the decree that created the Correctional Company, responsible for determining the nature of the punishment.

A fact recorded was the case in 1893 when a contingent of sailors had revolted in the ship Marajó against excessive physical punishment, demanding the change of the commander who abused the whip and other tortures. At the time would not yet the end of the whip, but just changing the master of the ship to prevent abuse. Definitely was not normal receive lashes. And to make matters worse, the officers went beyond the limit of own regiment of the Navy, based on a decree which was never published in the Official Gazette, which established the creation of Correctional Airlines could indicate the punishment of up to 25 lashes, even after the abolition of slavery.

With the turn of the century and technological improvements, the ships also received significant modernizations, and a key was emerging of modern steamships. In the first decade of the twentieth century the Rio de Janeiro modernized quickly, Mayor Pereira Passos made changes the physical appearance of the city that had joined the Belle Époque, the French fashion. Following the upgrades, the Navy of Brazil acquired fourteen ships among the most modern at the time, ordering battleships and the latest torpedo turbine ships and cruisers. According to the Navy the technical level of Brazilian sailors accustomed to sailing ships did not follow the modernization, however same registers cite the sailors of 1910 as trained professionals, competent men who participated in the construction of ships, which maneuvered with extreme efficiency, modern men living under an archaic system.

From 1908 to understand the steps of the construction of warships ordered by the Brazilian government, hundreds of sailors were sent to England. In 1909 João Cândido was also sent there. This stay in England it was informed of the movement carried out by Russian sailors in 1905, demanding better working conditions and food, the revolt of the Battleship Potemkin. Even in Britain, and then, upon returning to Brazil, the mariners who were there to accompany the construction of battleships Minas Gerais and São Paulo, and Bahia cruiser, started a conspiratorial movement in order to make a more effective attitude towards to end the whip in the Navy of Brazil.

Photo João Cândido during the revolt
published in newspapers of the time
On November 22, 1910 one week after take the new government of Hermes da Fonseca President, about two thousand mariners rebelled and took four warships in Guanabara Bay. Six days pointed eighty guns and threatened to bomb the city which at the time had a population of 870,000 people. The riot had as a commander and main spokesman the sailor João Cândido Felisberto 30 years old. It was the revolt of the lash triggered, and the main reason for this revolt, the corporal punishment in the Navy.

The motivation was the scourge suffered by the sailor Marcelino Menezes on the battleship Minas Gerais, one of the most modern ships in the world at the time. After a serious act of indiscipline, said to have been punished with 250 lashes. This number of lashes widespread reside doubts, especially when designing if someone would support that number of punishments, and is described that Marcelino had suffered silent. Anyway, there was a case of indiscipline and the officer who was in charge of the disciplinary matter on the ship established a absurd amount of lashes. The reason that led Marcelino punishment was that when he entered the ship with two bottles of cachaça, the cable service sailor gave part. Marcelino as revenge had cuted with blade the whole body of the Cape, according to reports. At that time, the penal code did not work, at least in the military, had delays and abuse in the Navy's system of punishment. Cannon shots were fired to threaten but unfortunately they hit the city and killed two children. In fact it is believed that they would never have the courage to bomb the fact Rio, but the government did not want to put the test. After six days of great tension in the city and residents for fear of being bombed by the rebels, the government Hermes da Fonseca and Congress gave, João Cândido and the other sailors were amnestied. The movement of the victory can not be celebrated, after the revolt the government set up a rematch of weather, and practice revoked the amnesty. Even before any action legal revocation, the sailors were dismissed en masse, producing a lot of unemployed and yet when the sailors were landing on earth, most of them were captured and arrested, taken to the prison of the naval battalion on the island of snakes.

The palce of the prision at Ilha das Cobras naval 
battalion
In this prison only João Cândido and other sailor survived, the jailers were non-commissioned officers of the naval battalion, and a single recorded account of one of them tells of the "murder" of the sailors and soldiers of the naval battalion who were in prison. It was an inlaid building on the rock in one of the hill slope, unventilated place, many came to die poisoned or suffocated and do not know for sure for what or by whom.

The Revolt of the Lash was a legitimate revolt against an absurd and inhumane practice of corporal punishment, a paradox to own then current constitutional regime. It was an unlawful and was a manifestation of the citizen against this lawlessness, the Revolt of the Lash frontally demanded the revocation of the decree and the end of corporal punishment in the Navy, this was a definitive victory over injustice.

The hero, the myth:

The Revolt of the Lash is not seen by way of unanimous segments of society, there is for example a chain of marine trying to disqualify João Cândido, but without success. After the incidents João Cândido never left Rio de Janeiro, where he lived the glories of "Admiral", the humiliation of a marginal and until his death in 1969 as a fish vendor at the docks. Today there are numerous tributes to João Cândido, as well as the composers of this beautiful song The Living Master and Commander. The time civil society in general is showing as Admiral Black is considered a national hero and walks to a big myth.



Fontes / Sources:

http://www.projetomemoria.art.br/JoaoCandido/
http://www.santovivo.net/gpage64.aspx
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_C%C3%A2ndido
http://valberlucio.com/2012/06/25/memoriaha132anosnasciajoaocandidofelisbertooalmirantenegrodobrasil/
http://musicaemprosa.musicblog.com.br/464053/OMestresaladosMaresHomenagemaoAlmiranteNegroJoaoCandido/
http://www.cefetsp.br/edu/eso/patricia/revoltachibata.html
http://culturadigital.br/pazciencia/historia/
Antíteses, v. 3, n. esp. p. 90-114, dez. 2010. http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/antiteses
Depoimentos do historiador Henrique Samet (UFRJ) extraído do documentário produzido pela GloboNews "Os 100 Anos da Revolta da Chibata.



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